CONTAGEM REGRESSIVA

"... sabemos que a arte de nosso tempo, ela própria, no que tem de mais ousado, se coloca no horizonte do precário, desprezando o conforto das formas fixas e a tutela sereníssima do eterno." (Haroldo de Campos, na introdução do livro Pequena Estética, de Max Bense)


CUMPLICIDADE

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

AOS AMIGOS E VISITANTES

Não, não serei hipócrita. Não vou desejar aqui feliz natal pra ninguém. Também não deixarei um feliz ano novo.
Que comam muito, que bebam a se fartar, que riam às largas, que abracem todo abraço que faltou. que se perdoem.
Que importam as mesquinharias passadas se elas retornarão?
Não, não vou desejar felicidade pra ninguém! embriaguem-se!


Não vou aqui valorizar precaridades. 


Também não quero votos (abomino todos) impessoais e repletos de caridade cristã.


Não quero que o símbolo do sacrifício físico, solitário, inútil e imbecil seja desejado a mim.


Não quero valorizar uma data criada por um papa católico qualquer.


Não quero valorizar uma data explorada por um aventureiro qualquer.


Também não vou entregar um deus morto, assim de bandeja.


Não tenho promessas e nem um paraíso inatíngivel em vida. 


Não me desejem conviver com leões e cordeiros. Há quem me deseje umas 70 e tantas virgens?


Em inglês deus é apenas cachorro, lendo de trás pra frente. Existe um Instituto Pasteur.


Chega dessa felicidade coisificada.


Chega de estatutos sentimentais.


Basta de compêndios humanizadores.


Não estou aqui querendo ninguém ao meu lado, mas podemos estar lado a lado. Alados. Há lados.


É isso. Não mais.