CONTAGEM REGRESSIVA

"... sabemos que a arte de nosso tempo, ela própria, no que tem de mais ousado, se coloca no horizonte do precário, desprezando o conforto das formas fixas e a tutela sereníssima do eterno." (Haroldo de Campos, na introdução do livro Pequena Estética, de Max Bense)


CUMPLICIDADE

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

CHOVE

Os olhos buscam referências onde o corpo possa situar-se.
Um acordar agora na terra da garoa. Chove e som de chaves.
Um bom dia no dia que chove. Bom o som da água que corre.

Chove. Me lavo e me levo.

Lugares e amares d’antes pouco navegados
Amo singular e verdadeiramente o amor
Não, nada. Ninguém. Nem você, meu bem.

Amo. Me basta e basta-me.

Nosso pacto é o corpo presente onde apenas o corpo desejar.
Não nos cabemos em um lar largo que anseia sólido futuro.
Somos urro do momento que nada pede além de poder e estar.


Chove. Me basta e me levo.